domingo, 30 de janeiro de 2011

Mais ou menos isso.


Eu queria poder mostrar quem eu sou, demonstrar as minhas idéias e as minha opiniões sobre como eu acho que as coisas poderiam e deveriam ser; mudar algo no mundo, tocar de alguma forma alguém; queria poder orgulhar a minha família e todas as pessoas que apesar de tudo acreditam e apostam em mim, no meu futuro, e no futuro da minha banda.
Acredito na melhor coisa que eu já fiz. Uma força que eu jamais senti. É onde encontro a minha paz. É onde alivio a dor! Desde pequeno a escutar "seja honesto mas vá ganhar!". Meu pai dizia pra eu não me esquecer e ainda ouço ele me falar nos meus sonhos e corro atrás. Eu vou sem descansar! Me entrego de corpo e alma eo meu som é o retrato do que sou. Quando tudo terminar, quando o fôlego se for, ainda terei minhas
histórias sobre o tempo que passei, sobre amigos que vivi e sobre energia pura que despertou. O meu sonho sempre foi estar aqui vendo você pular, você sorrir. Por segundos dessa sensação eu digo que valeu!

Rancore - Odisséia. (Teco Martins)

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Eu preciso. Você também.


Tudo parecia uma enorme pintura abstrata onde nada acontecia, além do movimento de gente passando pra olhar. Vai entender o motivo desse quadro chamar atenção de tantas pessoas. Aposto o meu sono que não existe um ser que não tem vontade de ter uma replica exata do tal quadro em sua casa. As vezes, mais que uma replica. E ali, pendurado em evidência.
Eu cansei de passar pra olhar e decidi ficar distante, fitando aquela gravura, pelo maior tempo possível. Suas cores eram tão vivas e contrastes que pareciam lutar umas com as outras. As pinceladas eram tão firmes e, ao mesmo tempo, aparentemente aleatórias, que pareciam ferir a tela. Vendo assim, faz um pouco de sentido as cicatrizes que guardo em mim. Eu tecia todo tipo de comentário a respeito da obra para mim mesmo, enquanto todos os outros apenas passavam desatentos, perguntando uns aos outros onde ficavam as pinturas realistas. Já que aquela era confusa demais, apesar da ganancia de todos de querer tê-lo.
De real, basta o mundo. Eu quero é partir em busca do que é incógnito, improvável e incorreto. Eu vejo sentido no abstrato e, sim, muita vida no que muitos convencionaram chamar de 'natureza morta'.
O que é mais abstrato do que o amor? Ele não tem forma nem cor, mas é o que me faz parar o coração. A gente busca incessantemente essa sensação de enfartar de amor, de sentí-lo pulsando e estourando nossas veias. Apesar de sabermos muito bem que nunca vamos sentí-lo em nossas mãos, e ter a sensação que ele realmente existe e é nosso. Que outra coisa nos leva a isso? O que mais justifica todos os poemas, todas as músicas, toda a angústia e inspiração do mundo? Engraçado uma coisa que nos fere, que nos machuca, que nos arranca o sono, que faz mal, que nos deixa doente, que nos emagrece a alma, ser um dos principais motivos do mundo ainda não ter enlouquecido totalmente, e esta girando - mesmo que pro lado errado - em ordem.
Só ele, o amor. A pintura abstrata que muita gente já não aprecia mais. Em busca de retratos reais, a gente se joga nas cordas do comodismo, esquecendo o verdadeiro motivo de estarmos aqui. Afinal, eu preciso dele e continuo dizendo - e mentindo - pra mim mesma que ele por hora não me é importante e necessário. O amor não é boa pessoa, só pelo fato dele nos ensinar a mentir. Mas vai lá, viver sem ele? E me ensina depois?

E eu sei que você também pensa assim.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Mudanças? Por enquanto não, obrigado.


É curioso como invonluntariamente absorvermos a essência de outras pessoas. Passamos a aprender como acoplar os bons valores em nós, e esquecer - ou relevar - o que nos deixa poluído. As vezes isso pode ser bom, e pode ter a função de te soar o alarme que é hora de mudanças. Mas, como tudo comigo tem alguma indagação antes de se transformar em fato, é um pouco diferente. Eu nunca digo que vou mudar. Eu nunca cogitei a ideia de mudar. Eu nunca mudei, e não foi porque eu não quis. É simplesmente porque essa sou eu, e qualquer esforço em não me ser seria, por si só, uma traição. Mesmo que pudesse voltar no tempo, mesmo que pudesse fazer tudo de novo, todas as desventuras que vivi levar-me-iam ao mesmo agora. A mesma pessoa que sou, e aos mesmos pensamentos que tenho. E eu jamais estive tão apegada ao presente. Jamais estive tão alerta, tão atenta, tão sedenta pela luz do sol e, principalmente, por essa não-luz da noite, que a muitos assombra e, a mim, inspira e arranca sinceros sorrisos. Eu vejo em cada uma dessas esquinas dobradas um novo horizonte, uma nova página para escrever com meus desastrados passos. O passado nunca realmente tomou sua posição de passado na minha cabeça, e nisso eu assumo que mudei. Mas assumo também, que continuo revirando histórias do passado por mais antiga e remota que for. São nessas horas que deito na cama para ler o livro dos meus dias, invariavelmente encontro nas minhas frases sem concordância os maiores acertos. E foi escrevendo um desses parágrafos rasurados que te vi errando também. Mas tinhas a capacidade de escrever sem olhar pras mãos. Olhavas pra mim, do outro canto daquela sala. No entanto, com grande esforço, superei minha curiosidade e todos os meus mais primitivos instintos, para conseguir esperar o forte, intenso e último toque que a tua caneta deu naquela folha branca. Então eu comecei a escrever compulsivamente, extrapolando os limites do papel, riscando mesas, sofás, tapetes, inclusive o chão, até que minha caneta alcançou o teu papel. A página está totalmente em branco, e podemos escrever nela o que quisermos.

E veja só se não é mais uma tentativa da página em branco, de me assombrar, de me colocar em desespero e depois roubar de mim frases que a curiosidade e inteligência dela desprezam.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Caboom.


Foi eu me sentir segura, tentar não mais usar as mãos e fechar meus olhos. Descuido insano de me permanecer viva, derrapei. Era uma curva densa, perigosa, fechada e convidativa ao chão, mas eu confio sempre em mim mesma antes de qualquer coisa. Permaneço, até agora, presa nas ferragens cujas chamas a chuva fez o dever de apagar. O filme das coisas que fiz até hoje começa a passar em uma velocidade em que normalmente eu não conseguiria acompanhar nenhuma cena, porém, quando a gente não tem mais noção da razão, o impossível se torna fácil nas nossas mãos. Não sinalizo pedido de socorro, muito menos gasto minhas já gastas cordas vocais clamando por ajuda. Resolvi ficar mais um tempo por aqui. Parece que nunca me senti tão confortável. Vai entender. Nunca antes havia encontrado prazer em ter meus órgãos e pensamentos esmagados em dobraduras origami de aço e vidro. Meu olho esquerdo focaliza a pista na qual vejo passarem todos esses carros, tão mais velozes, tão mais bonitos, novos, e com pilotos tão mais atentos do que eu. Coitados, - penso - nunca sentiram o solavanco repentino e inesperado lhes fisgar as entranhas como um talentoso assaltante que te toma a carteira e deixa de brinde um punhal te adentrando os pulmões, pelas costas. Nunca tiveram seus olhos ameaçando escapar das suas órbitas. Nunca testemunharam o momento em que aço vira papel, nem tiveram a oportunidade de torcer para que o óleo encontre a faísca. Coitados.
Acho que o mundo entende bem o que quero dizer. As pessoas andam se permitindo cada vez menos, e não se preocupam com isso. Coitados.
Pra dizer a verdade, a minha intenção desde o início é que tudo exploda. E que seja luminosa, a explosão, que ecoe pelos quarteirões e faça tremer teus vidros, quebrar tuas janelas. Que perturbe teu sono e te faça ir pra rua pra ver o que aconteceu. Você não vai me encontrar lá, apesar de eu estar bem próxima da sua vida em todos os seus momentos.
Eu não sou e nunca fui a pessoa que pilotava o carro. Não sou e nunca fui o passageiro. Não sou e nunca fui o pedestre.

Eu sou o acidente, e eu sou grave. E cada vez mais e mais rápido minhas chamas se alastram por aí com a intenção de queimar tudo que jugo ser meu.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Lembre-se.


Não conheço ninguém que tenha se acostumado a conviver com algo que incomoda. Mas, se realmente pararmos pra pensar, temos algo em comum que nos faz ficarmos olhando olho no olho, mesmo estando em uma distancia sem igual. Sinto isso latejando em você. Você sente latejando em mim. Tenho um nome pra isso, que apesar de ser uma palavra pequena causa estragos, que apesar de maquiada, mora dentro da gente servindo como uma espécie de alerta, e só nós dois podemos enxergá-la. Essa dor que sentimos, esse sentimento que nos desliga do mundo, que nos coloca em contato apenas com mil fantasmas, mil medos e mil coisas que não queríamos ver, ao contrário do que você imagina não foi feita pra te derrubar. Ela existe apenas pra ilustrar a quantidade de passado que estamos colocando na mesma mochila. É o nosso passado vivo. Ela existe apenas pra te lembrar o quanto de história nós vivemos, caso venhas a esquecer tudo isso, novamente. Eu sinto a mesma dor e insisto que acredite no que digo, mas foi de tanto sentir que aprendi as coisas que hoje te escrevo. Aprendi que é ela, a dor, quem te faz ser importante. Ela jamais vai esquecer de nós durante todo o tempo que estivermos vivo. É ela, a dor, que cresce exponencialmente todo dia em suas diversas formas, pra que haja espaço pra ti dentro de mim, quando ela vai embora (mas nunca é pra não mais voltar e ela já deixou isso bem claro). E quando teus olhos brilharem perto de mim o bastante para te alcançar com meus braços, você irá esquecer a dor, a espera que machuca, as coisas que você fez com a intenção de de me agredir, e todas as feridas serão curadas. De ambos. Um novo coração pra sentir tudo aquilo novamente, só que de forma mais intensa, mais duradoura, mais viva. A dor, sua mais nova amiga. Ela não perdoa quem vira as costas pra ela, logo a trate com cuidado e respeito, e lembre-se SEMPRE: ela NUNCA vai esquecer de você.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Eu ando desobedecendo a mim mesma.


Fecho a janela e perco a noção do mundo lá fora e das coisas que diz respeito a ele. E sim, eu ando me confinando de mim mesma, e dos meus pensamentos intocavéis. O que eu vejo é muito grande pra eu tentar encontrar um espaço pra mim, e com isso, ando me confundindo com coisas que, aparentemente, são de entendimento imediato. Já não me encaixo no que acredito ser certo.
Eis que surge um grande problema, e ele sem hesitar, faz questão de ficar piscando a sua luz de alerta bem na frente dos meus olhos ofuscando minha visão. Como de costume, a folha em branco causa aquele desespero que eu sinto prazer em sentir. Um parágrafo, e isso foi tudo que eu consegui transmitir pro mundo real o que sinto no meu mundo.
A ideia está sim bem definida, clara e simples dentro de mim. Ela sussurra em meus ouvidos pra destruir tudo e correr pra longe da minha própria loucura, antes que eu me acomode a viver desse jeito. Confusa. Mas a caneta teima comigo e não deixa eu aliviar o peso das questões no papel que aguarda curioso. Eu, enjuriada, me pergunto qual a razão pro meu próprio corpo guardar tudo isso pra si mesmo. Entristeço-me e faço uma cara de deixa pra lá. Pergunto-me também, qual o motivo de tamanho mistério, tamanha vontade de me complicar que eu tenho. Mas a caneta não responde. Tudo que ela escreve é isso. Punhados de ideias mascaradas, pensamentos encobertos e sentimentos nebulosos.

Eu ando desobedecendo a mim mesma.